Sob a ótica dos investidores, o cenário financeiro de 2025 ficou marcado por um protagonista clássico: o ouro. Em um ambiente atravessado por incertezas económicas e tensões geopolíticas, o metal precioso destacou-se como a aplicação de melhor desempenho do ano, com uma valorização expressiva de 65,24%. O resultado reforçou o papel histórico do ouro como ativo de proteção em períodos de instabilidade e aversão ao risco.
O desempenho esteve diretamente associado ao aumento da procura por segurança. Ao longo do ano, o mercado financeiro global foi impactado por decisões políticas e económicas relevantes, incluindo a imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos sob a liderança do então presidente Donald Trump. Medidas desse tipo ampliaram a percepção de risco entre investidores, levando parte significativa do capital a migrar para ativos considerados mais resilientes a choques externos.
Em contraste com o brilho do ouro, outros investimentos tradicionais apresentaram desempenhos variados. Entre os 13 ativos analisados no levantamento da consultoria Elos Ayta, o segundo melhor resultado ficou com o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, que avançou 33,95%. A performance colocou o mercado acionário nacional em posição de destaque, evidenciando uma recuperação robusta da renda variável no país.
Já aplicações de perfil mais conservador ficaram bem atrás no ranking. O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) ocupou apenas a oitava colocação, com rendimento de 14,20%, enquanto a poupança apareceu ainda mais abaixo, na décima posição, com retorno de 8,19%. Os números mostram que, apesar da segurança, esses instrumentos perderam atratividade frente a alternativas mais dinâmicas.
No campo das moedas e dos ativos digitais, o ano foi desafiador. A cotação do dólar, considerada pela taxa Ptax calculada pelo Banco Central, encerrou o período com queda de 11,14%. Ainda pior foi o desempenho do Bitcoin, que fechou o ano com recuo de 17,62%, ocupando a última posição no ranking de rentabilidade. O resultado reforçou a volatilidade e os riscos associados ao mercado de criptoativos, especialmente em momentos de maior cautela global.
Para Einar Rivero, sócio da Elos Ayta, o cenário observado foi incomum. Segundo ele, os dados consolidados apontam para um ambiente raro de dispersão positiva de retornos, no qual diferentes classes de ativos tiveram comportamentos bastante distintos. Na sua avaliação, 2025 consolidou a virada da renda variável, expôs a fragilidade das moedas tradicionais e representou mais um ano difícil para o Bitcoin.
No caso específico do Ibovespa, o analista destaca que o desempenho correspondeu à segunda maior valorização anual desde 2010, ficando atrás apenas de um período de forte recuperação observado em meados da década passada. Ao longo do ano, o índice renovou máximas históricas em dezenas de ocasiões, sinalizando uma recuperação consistente e amplamente distribuída entre os ativos locais.
O balanço final de 2025 revela, assim, um mercado marcado por contrastes. Enquanto o ouro reafirmou seu estatuto de porto seguro, a bolsa brasileira surpreendeu positivamente, e moedas e criptoativos enfrentaram perdas relevantes. Um retrato que ajuda a explicar as escolhas dos investidores num ano em que prudência e estratégia foram determinantes.